janelas

06jan12

Estamos viajando e da sacada do quarto temos uma vista linda que tem alegrado nossos dias e nos feito acordar de muito bom humor.

Ah, como eu gosto de janelas!!

Há muuuitos anos, mais precisamente no século passado, meus avós encomendaram o projeto da casa onde eu passei a infância a um arquiteto. Projeto modesto, casa simples, o arquiteto projetou a janela da sala bem alta de modo que quando você estivesse sentado não conseguiria ver lá fora. MInha avó vetou na hora. Ele argumentou: “Mas Dona Hilma, está na moda!” e ela nem aí, “esta janela tipo basculante eu não quero!”. Penso que foi assim que aconteceu com toda classe média, que não teve coragem de bater o pé como fez a vovó… está na moda, Brasília tá aí…lajes inclinadas, janelas tipo basculante e temos um arremedo porco do que foi o modernismo.

É isso, tô mais pra minha avó, eu preciso de janela! Pra trabalhar? Tem que ter janelão! Pra morar? Tem que ter janelão! Pra passear? Tem que ter janelão! Até pra chorar é bom. Você encosta a cabeça na janela, vê a rua, a cidade, o céu ou seu vizinho, sei lá…e chooora, pensa na vida, toma um monte de decisões, enxuga as lágrimas, fecha a janela e vai continuar o que estava fazendo.

Até mesmo quando o ambiente é devassado  eu gosto. É só colocar uma cortina fininha pra ficar mais discreto. Não há nada como a luz do dia, ascender as luzes antes das 18:00hs é o fim.

Porque as janelas são os olhos da casa e “os olhos são a janela da alma, o espelho do mundo” (Leonardo Da Vinci).

chooora, baby…

Abaixo a vista privilegiada do meu escritório

E aqui o motivo do nosso bom humor matinal:



6 Responses to “janelas”

  1. 1

    Olá, Blanquinha.
    Também sempre tive paixão por janelas, principalmente pelo emolduramento das paisagens externas que elas proporcionam. Adorei principalmente a que é o motivo do seu bom humor matinal. Até eu acordaria bem todos os dias com uma vista dessas…..

  2. Que lindo meu amor.
    Acho que as nossas energias também fluem
    melhor com uns janelões assim!
    Te amo!!!
    Werner

  3. 5 Denise Andrade

    Oi prima, adoro seu blog, sempre com textos inteligentes. Porém venho discordar dos comentários a respeito de Brasília. Como brasiliense e apaixonada pela cidade venho em proteção desta.
    A grande influência de Le Corbusie na arquitetura de Brasília é indiscutível:
    “Planta livre: elaboração de uma estrutura independente que permita a livre distribuição das paredes, já sem exercerem função estrutural.
    Fachada livre: resulta igualmente da independência da estrutura. Assim, a fachada pode ser projetada sem impedimentos.
    Pilotis: sistema de pilares que elevam o prédio do chão, permitindo o trânsito por debaixo do mesmo.
    Terraço-jardim: recupera a área ocupada pelo edifício transferindo-o para cima do prédio na forma de um jardim.
    Janelas em fita: possibilitadas pela fachada livre, permitem uma relação desimpedida com a paisagem.”
    O último item um traço bem característico em BsB: as janelas em fita…
    As da casa do meu pai e as do prédio que moro (ambos com mais ou menos 50 anos de construção),vão do chão ao teto, janelões gigantes… como mais de 90% dos prédios da cidade, todos os Ministérios, Itamaraty, Palácios da Justiça, da Alvorada, do Planalto e do STF são assim de vidro “da cabeça aos pés”…e mesmo nos prédios mais recentes como no novo complexo de tribunais, são palácios espelhados…
    Sei que não somos perfeitos, mas em relação as janelas não procede, aliás muitos criticam os janelões envidraçados pois o custo com aparelhos e manutenção de ar condicionados são altos devido a dificuldade no isolamento térmico. No meu prédio quase todos os moradores fecharam a parte de baixo das esquadrias com receio de acidentes. O mesmo meu pai fez, visando a segurança da casa.
    Adoro janelas; são fundamentais. Te admiro muito, tenho imenso carinho, lembranças nossas da infância, fiquei emocionada com a parte da Vó Hilma, mas não resisti, peço desculpa se falei demais, pois a especialista aqui é você.
    Beijos

    • Oi querida, não tem como negar, Brasília e a obra de Niemeyer colocaram o Brasil no mundo, nos posicionaram de uma forma nunca antes imaginada. Corbusier e Niemeyer usavam estas janelas altas com muita propriedade e de forma brilhante, mas nunca numa sala de estar com vista para o jardim. Corbusier fez janelas rasgando a parede horizontalmente como na Villa Savoye, aqui elas foram imitadas em escala e altura erradas. O que temos são arremedos e usos inadequados das obras modernistas. Vejo aqui em BH mesmo, prédios públicos importantes, de autoria do próprio Niemeyer que tem na área destinada a depósitos e afins, janelas altas, tipo basculante, e que hoje são usadas como salas de trabalho, uma dó. Salas escuras, circulação de ar ruim. Assim como as imitações chinfrim de detalhes usados em Brasília. Rampas onde não há espaço para tais, guarda corpo de varanda imitando o Palácio da Alvorada…é de chorar.
      Sempre gostei na sua casa de ficar na sala olhando aquele gramado, as janelas enormes!
      O problema não são os gênios, são as cópias.
      Um beijo,
      Ana Paula


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